6ª edição do Sesc Jazz promove shows com grandes nomes da música brasileira e internacional
- Rafael Ferreira
- 6 de out.
- 4 min de leitura
Encontro de Amaro Freitas com Dom Salvador e Evinha com Marcos Valle são alguns dos destaques

Um dos mais respeitados festivais de música do Brasil realiza mais uma edição. A 6ª edição do Sesc Jazz, que agora passa a ser bienal, acontece de 14 de outubro a 2 de novembro e trará 27 artistas do Brasil e do mundo, além de oficinas, masterclasses, aulas-show, cursos, workshops e audições comentadas.
Participam nove unidades do Sesc no estado de São Paulo: Pompeia, 14 Bis, Franca, São José dos Campos, Rio Preto, Centros de Música do Sesc Consolação, Guarulhos, Vila Mariana e Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo. Os ingressos já estão à venda e sempre são concorridos.
A edição deste ano tem como foco o Sul Global, com o protagonismo de artistas da América Latina, África e diáspora africana, ratificando o jazz como uma tecnologia de resistência e contracultura frente à herança colonial. Outro destaque é o aumento na participação feminina, presente em 78% das atrações confirmadas do evento (21).
“A gente entende o jazz como uma tecnologia áfrica diaspórica, que saiu do continente africano e ganhou diversos sotaques, camadas, outras leituras, outras batidas em diversos lugares onde chegou”, disse Giovana Suzin, coordenadora artística e curadora do Sesc Jazz.
O festival oferece uma safra de apresentações brasileiras inéditas, como o encontro histórico de gerações entre os pianistas Amaro Freitas e Dom Salvador, pioneiro do samba-jazz, que transformaram o gênero em épocas diferentes.

Outro destaque é o encontro de Evinha, ex-integrante do Trio Esperança, radicada há mais de 40 anos na França e redescoberta por jovens ouvintes através do rapper BK e DJ Alok, faz show especial com Marcos Valle, revisitando as canções que ele escreveu para ela no final dos anos 1960 e início dos 1970, consolidando um diálogo artístico e afetivo que atravessa seis décadas.
Indiana Nomma, Rosa Marya Colin e Eliana Pittman fazem uma homenagem à diva do samba-jazz Leny Andrade (1943–2023), enquanto os mestres do frevo de Olinda Carlos Rodrigues, Lúcio Henrique, Oséas Leão e Maestrina Lourdinha Nobrega se reúnem no show Abafo, Coqueito e Ventania para mostrar a riqueza rítmica do ritmo ao universo da improvisação com arranjos preparados exclusivamente para o Sesc Jazz.
Entre as atrações internacionais, está o cantor, guitarrista e ativista ambiental senegalês Baaba Maal, que fará a abertura do evento. O cantor mescla tradições da África Ocidental com sonoridades eletrônicas em composições que refletem sobre os desafios tecnológicos, políticos e ambientais do continente africano. O artista já colaborou na trilha de alguns filmes, como A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, e Pantera Negra.

Outro grande nome é a haitiana Moonlight Benjamin, cantora e sacerdotisa com uma voz poderosa que mistura os ritmos cerimoniais do vodu haitiano com blues, rock psicodélico e guitarra s elétricas, criando um som potente e espiritual.
A América do Sul é representada por grandes nomes, como a colombiana Lido Pimienta, indicada ao Grammy Latino e ao Grammy Awards, que combina synthpop e música eletrônica com influências tradicionais afro-colombianas. Já o lendário Fruko & La Bonita, considerado o pai da salsa, celebra a colaboração entre gerações em um espetáculo que também traz psicodelia tropical e cumbia. Tem ainda o chileno Hugo Fattoruso Y Barrio Sur, do Uruguai, uma lenda do candombe e que fez parceria com artistas brasileiros.









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