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6ª edição do Sesc Jazz promove shows com grandes nomes da música brasileira e internacional

Encontro de Amaro Freitas com Dom Salvador e Evinha com Marcos Valle são alguns dos destaques

 

Amaro Freitas por Micael Hocher
Amaro Freitas por Micael Hocherman

Um dos mais respeitados festivais de música do Brasil realiza mais uma edição. A 6ª edição do Sesc Jazz, que agora passa a ser bienal, acontece de 14 de outubro a 2 de novembro e trará 27 artistas do Brasil e do mundo, além de oficinas, masterclasses, aulas-show, cursos, workshops e audições comentadas.

 

Participam nove unidades do Sesc no estado de São Paulo: Pompeia, 14 Bis, Franca, São José dos Campos, Rio Preto, Centros de Música do Sesc Consolação, Guarulhos, Vila Mariana e Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo. Os ingressos já estão à venda e sempre são concorridos.

 

A edição deste ano tem como foco o Sul Global, com o protagonismo de artistas da América Latina, África e diáspora africana, ratificando o jazz como uma tecnologia de resistência e contracultura frente à herança colonial. Outro destaque é o aumento na participação feminina, presente em 78% das atrações confirmadas do evento (21).


“A gente entende o jazz como uma tecnologia áfrica diaspórica, que saiu do continente africano e ganhou diversos sotaques, camadas, outras leituras, outras batidas em diversos lugares onde chegou”, disse Giovana Suzin, coordenadora artística e curadora do Sesc Jazz.

O festival oferece uma safra de apresentações brasileiras inéditas, como o encontro histórico de gerações entre os pianistas Amaro Freitas e Dom Salvador, pioneiro do samba-jazz, que transformaram o gênero em épocas diferentes.


Dom Salvador por Daniel Franco
Dom Salvador por Daniel Franco

Outro destaque é o encontro de Evinha, ex-integrante do Trio Esperança, radicada há mais de 40 anos na França e redescoberta por jovens ouvintes através do rapper BK e DJ Alok, faz show especial com Marcos Valle, revisitando as canções que ele escreveu para ela no final dos anos 1960 e início dos 1970, consolidando um diálogo artístico e afetivo que atravessa seis décadas.


Indiana Nomma, Rosa Marya Colin e Eliana Pittman fazem uma homenagem à diva do samba-jazz Leny Andrade (1943–2023), enquanto os mestres do frevo de Olinda Carlos Rodrigues, Lúcio Henrique, Oséas Leão e Maestrina Lourdinha Nobrega se reúnem no show Abafo, Coqueito e Ventania para mostrar a riqueza rítmica do ritmo ao universo da improvisação com arranjos preparados exclusivamente para o Sesc Jazz.


Entre as atrações internacionais, está o cantor, guitarrista e ativista ambiental senegalês Baaba Maal, que fará a abertura do evento. O cantor mescla tradições da África Ocidental com sonoridades eletrônicas em composições que refletem sobre os desafios tecnológicos, políticos e ambientais do continente africano. O artista já colaborou na trilha de alguns filmes, como A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, e Pantera Negra.

 

Baaba Maal por Matthew Donaldson
Baaba Maal por Matthew Donaldson

Outro grande nome é a haitiana Moonlight Benjamin, cantora e sacerdotisa com uma voz poderosa que mistura os ritmos cerimoniais do vodu haitiano com blues, rock psicodélico e guitarra s elétricas, criando um som potente e espiritual.


A América do Sul é representada por grandes nomes, como  a colombiana Lido Pimienta, indicada ao Grammy Latino e ao Grammy Awards, que combina synthpop e música eletrônica com influências tradicionais afro-colombianas. Já o lendário Fruko & La Bonita, considerado o pai da salsa, celebra a colaboração entre gerações em um espetáculo que também traz psicodelia tropical e cumbia. Tem ainda o chileno Hugo Fattoruso Y Barrio Sur, do Uruguai, uma lenda do candombe e que fez parceria com artistas brasileiros.


Lido Pimenta
Lido Pimienta Foto: divulgação

Do continente europeu, se destacam a contrabaixista e cantora franco-caribenha Sélène Saint-Aimé, que apresenta um som que une tradição e modernidade; e o cantor britânico Bryony Jarman-Pinto que se  destaca pela fusão de jazz, soul e folk com letras de tom social.


Da música afro-norte-americana, três referências de Chicago (EUA) reforçam a tradição e a inovação do gênero: o percussionista Kahil ElZabar, comemorando os 50 anos de formação de seu grupo, e a pianista e educadora Amina Claudine Myers, figura marcante do jazz e do gospel.


Parte da programação de shows será gratuita, na área do Deck do Sesc Pompeia. Nele acontecerão, aos domingos, os shows do grupo paulistano Aláfia em uma homenagem ao grupo Parliament, coletivo que marcou a música negra estadunidense nos anos 1970, o projeto Coisas supremas: Conexão entre Coisas e A Love Supreme, com Allan Abbadia, um tributo às obras de Moacir Santos e John Coltrane e  o Trio Mocotó tocando o clássico Força Bruta (Jorge Ben), com a participação especial de Ellen Oléria. O grupo, pioneiro na fusão entre samba e soul, também participa de uma audição comentada com o público para contar sobre os bastidores e o legado do disco, gravado por eles em 1970.


Entre os maiores desafios, Giovana destacou a incompatibilidade de agenda de alguns nomes que eles gostariam de trazer. “A gente, aqui no Brasil, trabalha com um calendário diferente do que os artistas do exterior trabalham. É sempre uma ‘dorzinha’, mas tudo bem porque daqui dois anos tem outro, então teremos uma nova oportunidade”, disse.


“O Sesc Jazz reafirma seu compromisso com a diversidade, a inovação e a valorização do jazz como linguagem viva, plural e afrodiaspórica. A interiorização do evento e as parcerias internacionais reforçam a missão do Sesc de celebrar as diferenças e promover a convivência entre culturas”, disse o diretor do Sesc São Paulo, Luiz Deoclecio Massaro Galina.



Serviço:

 São Paulo, Franca, São José dos Campos e São José do Rio Preto

14 de outubro a 02 de novembro de 2025

Programação completa em: https://www.sescsp.org.br/sesc-jazz 

Ingressos a partir de R$ 18, já disponíveis no site e em todas as unidades do Sesc.

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