Entre escuridões criativas e sentimentos que tiram o sono, LOUISE estreia sua fase mais íntima
- Carlos Mossmann
- há 2 horas
- 3 min de leitura
LOUISE desperta na madrugada com “Insônia”, o primeiro capítulo de sua nova fase solo

Músicas podem nascer de muitos lugares, mas algumas parecem emergir diretamente da noite, carregando a inquietude, o desejo e o silêncio que só a madrugada conhece. É dessa atmosfera que LOUISE apresenta “Insônia”, seu single de estreia solo. Cantora, compositora e atriz, ela inaugura um ciclo marcado por introspecção, liberdade e uma entrega artística que parece finalmente alinhada ao que sempre esteve dentro dela. Para a artista, este momento funciona como um renascimento. Ela descreve o lançamento como o início de algo totalmente novo, um ponto de partida para construir uma trajetória sólida e pessoal, como alguém que retorna para si depois de anos circulando por universos criados por outras pessoas. Admite:
“Pela primeira vez eu estou feliz com o que escrevo. Essa música sou eu.”
O processo de criação de “Insônia” nasceu quase como um improviso instintivo. Durante uma sessão em estúdio com o cantor e produtor Barro, enquanto ele criava a base, a cantora testava versos e melodias, permitindo que a faixa ganhasse forma aos poucos. A imagem que guiou esse fluxo criativo veio de um horizonte simbólico, onde rio e mar parecem se encontrar apesar dos quebra-mares que os separam, uma visão típica do Marco Zero do Recife. Essa metáfora de distância, desejo e convergência moldou a sonoridade noturna que mistura R&B com nuances de trip-hop e carrega um tom confessional que atravessa toda a música.

Dentro desse cenário surge a figura de uma personagem tomada por paixão e ansiedade, alguém que não dorme porque sente demais. A compositora descreve essa persona como alguém que vive uma fase quase obsessiva, incapaz de descansar pela intensidade dos próprios pensamentos. Não existe lição de moral, apenas o retrato de um estado emocional que vive na fronteira entre o amor e a angústia, na mesma zona nebulosa onde a noite não deixa o corpo adormecer.
A história da artista até chegar aqui também fortalece o significado dessa estreia. Filha do cantor e compositor Chico Science, ela cresceu imersa na efervescência cultural do Recife. Começou no teatro aos 10 anos, cantou forró com a mãe e o padrasto na adolescência e, após quase uma década longe da música, retornou participando de projetos como Afrobombas, Coisinha e Manguefonia. Ela também emprestou a voz para “Dorival”, faixa da Academia da Berlinda. Cada etapa construiu com delicadeza a trajetória da artista que hoje assume seu nome no centro do próprio palco.
Essa nova fase se conecta às referências que sempre a acompanharam, nomes que moldaram sua escuta e sua sensibilidade. A cantora cita artistas como Erykah Badu, Portishead, Selena, Tricky, Björk e PJ Harvey, influências que também atravessam o EP “Notívaga”, previsto para 2026. O projeto promete expandir ainda mais esse universo noturno, íntimo e sensorial, como se fosse um mapa emocional construído à luz da lua.









Comentários