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Entre escuridões criativas e sentimentos que tiram o sono, LOUISE estreia sua fase mais íntima

LOUISE desperta na madrugada com “Insônia”, o primeiro capítulo de sua nova fase solo


Louise por João Alencar
Louise por João Alencar

Músicas podem nascer de muitos lugares, mas algumas parecem emergir diretamente da noite, carregando a inquietude, o desejo e o silêncio que só a madrugada conhece. É dessa atmosfera que LOUISE apresenta “Insônia”, seu single de estreia solo. Cantora, compositora e atriz, ela inaugura um ciclo marcado por introspecção, liberdade e uma entrega artística que parece finalmente alinhada ao que sempre esteve dentro dela. Para a artista, este momento funciona como um renascimento. Ela descreve o lançamento como o início de algo totalmente novo, um ponto de partida para construir uma trajetória sólida e pessoal, como alguém que retorna para si depois de anos circulando por universos criados por outras pessoas. Admite:


“Pela primeira vez eu estou feliz com o que escrevo. Essa música sou eu.”

O processo de criação de “Insônia” nasceu quase como um improviso instintivo. Durante uma sessão em estúdio com o cantor e produtor Barro, enquanto ele criava a base, a cantora testava versos e melodias, permitindo que a faixa ganhasse forma aos poucos. A imagem que guiou esse fluxo criativo veio de um horizonte simbólico, onde rio e mar parecem se encontrar apesar dos quebra-mares que os separam, uma visão típica do Marco Zero do Recife. Essa metáfora de distância, desejo e convergência moldou a sonoridade noturna que mistura R&B com nuances de trip-hop e carrega um tom confessional que atravessa toda a música.


Louise por João Alencar
Louise por João Alencar

Dentro desse cenário surge a figura de uma personagem tomada por paixão e ansiedade, alguém que não dorme porque sente demais. A compositora descreve essa persona como alguém que vive uma fase quase obsessiva, incapaz de descansar pela intensidade dos próprios pensamentos. Não existe lição de moral, apenas o retrato de um estado emocional que vive na fronteira entre o amor e a angústia, na mesma zona nebulosa onde a noite não deixa o corpo adormecer.


A história da artista até chegar aqui também fortalece o significado dessa estreia. Filha do cantor e compositor Chico Science, ela cresceu imersa na efervescência cultural do Recife. Começou no teatro aos 10 anos, cantou forró com a mãe e o padrasto na adolescência e, após quase uma década longe da música, retornou participando de projetos como Afrobombas, Coisinha e Manguefonia. Ela também emprestou a voz para “Dorival”, faixa da Academia da Berlinda. Cada etapa construiu com delicadeza a trajetória da artista que hoje assume seu nome no centro do próprio palco.


Essa nova fase se conecta às referências que sempre a acompanharam, nomes que moldaram sua escuta e sua sensibilidade. A cantora cita artistas como Erykah Badu, Portishead, Selena, Tricky, Björk e PJ Harvey, influências que também atravessam o EP “Notívaga”, previsto para 2026. O projeto promete expandir ainda mais esse universo noturno, íntimo e sensorial, como se fosse um mapa emocional construído à luz da lua.


Louise por João Alencar
Louise por João Alencar

Ela afirma que, pela primeira vez, sente que pode ser ela mesma sem medo, uma sensação que descreve como libertadora. A compositora não busca mais agradar quem se acostumou a vê-la em trabalhos de outras pessoas e finalmente se sente feliz com o que compõe e com o que está pronta para apresentar.


Insônia” foi gravada no Estúdio Zelo, em Recife, com produção de Barro e Guilherme Assis, mix e master assinados por Guigo Berger e lançamento pelo selo Zelo, com distribuição Altafonte. A capa do single também reflete essa autonomia recém-assumida, já que foi dirigida pela própria artista, com fotografia de João Alencar.


O resultado é mais do que uma estreia. É uma declaração de independência, uma afirmação identitária e uma abertura de caminhos para tudo o que a cantora ainda deseja explorar. Se a noite é o espaço onde ela se encontra, “Insônia” funciona como o farol que anuncia tudo o que ainda virá.

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