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Dione Assis destaca avanço do varejo brasileiro com coalizão em prol da equidade racial no consumo

A Black Sisters in Law está por trás do Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro, uma iniciativa que já mobiliza 18 empresas, mais de 3,1 mil lojas e 162 mil colaboradores em todo o país


DIONE
Foto divulgação

Enquanto o racismo ainda atravessa, de forma silenciosa e cotidiana, a experiência de consumo no Brasil, um grupo de empresas decide enfrentar essa realidade a partir de dentro. Em um movimento inédito, 18 companhias do varejo passam a adotar as diretrizes do Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro, ampliando não apenas o debate, mas, sobretudo, a implementação de práticas concretas nos pontos de venda.


Mais do que um posicionamento institucional, trata-se de um compromisso coletivo com a transformação. As empresas envolvidas impactam diretamente milhares de profissionais, que passam a integrar um processo contínuo de letramento racial e revisão de protocolos, atravessando desde o atendimento até as estratégias de segurança.


Para Dione Assis, fundadora da Black Sisters in Law, a coalizão marca um ponto de virada.


“A criação dessa coalizão materializa um esforço que vai além do discurso. Estamos falando de transformar conhecimento técnico em prática cotidiana, garantindo que consumidores negros tenham uma experiência de consumo digna e segura. O Código nasce justamente para preencher lacunas que a legislação, muitas vezes, não alcança, atuando nas nuances do racismo que ainda estruturam essas relações”, afirma.

Desenvolvido a partir de estudos que identificaram práticas discriminatórias ao longo da jornada de compra, o Código propõe diretrizes que vão da capacitação antirracista à garantia de um atendimento respeitoso, passando pela revisão de abordagens de segurança e pelo fortalecimento da representatividade nas equipes. A adesão é voluntária, o que permite que cada empresa implemente as ações de acordo com sua realidade, ampliando o alcance e a efetividade da iniciativa.


Dione também reforça o papel estratégico das lideranças nesse processo. “Quando grandes empresas assumem esse compromisso de forma pública, elas deixam claro que o combate ao racismo não pode ser tratado como pauta secundária. É uma agenda que precisa estar integrada à estratégia, à cultura e à operação do negócio. Estamos falando de redesenhar a jornada de consumo para que o respeito deixe de ser exceção e se torne regra”, completa.


No fim, não se trata apenas de consumo. Trata-se de garantir que algo básico, o direito de existir e ser respeitado, não continue sendo negociado em silêncio.

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