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UM RELATO SOBRE A EXPRESSÃO DA SÉRIE VERSOS

Sempre gostei de contar histórias e no ímpeto de expressar o que sinto e penso, me vejo contemplando um mar de ideias todos os dias. Algumas delas ganham força para nadar, outras por vezes morrem na praia.


Em meio às ideias que nadaram com força rumo à superfície estava a Série Versos, que nasceu numa noite de tristeza e contemplação em plena pandemia. Sempre fui um garoto romântico, apaixonado e com uma coleção de amores não correspondidos. Me pareceu, na ocasião, uma boa ideia escrever poemas sobre sentimentos do passado e expressá-los em vídeos poéticos com a participação de modelos, atrizes e artistas do meu convívio social.


O primeiro vídeo, chamado “Versos da Saudade” fala sobre tudo que importa dentro de um sentimento que ainda vive e perdura através do tempo. Ele fala sobre a saudade, sobre a falta das pequenas coisas. Nessa primeira tentativa, convidei a atriz Ana Emery para dar vida à personagem, o que ela fez de forma brilhante. “Me lembrou Amelie Poulain”, diziam alguns amigos sobre a atmosfera que o vídeo passou. “Você tem que fazer mais vídeos assim”, me encorajaram outros. Tudo isso, acompanhado de muitos likes e compartilhamentos espontâneos pelo Instagram.

No final, me vi planejando os próximos sem saber onde a ideia me levaria. Empolgado com os feedbacks que recebia, criei uma unidade estética entre os vídeos trazendo o elemento da lembrança representado pelo ruído, pela película, pela imagem suja de uma câmera despretensiosa nas mãos do eu-lírico.

Surgiu então o segundo vídeo, “Versos sobre Você”, que levou para a rua uma poesia escrita por mim em 2016, num momento em que estava vivenciando plenamente as palavras que ali foram escritas. Um texto que falava sobre o que foi se perdendo, sobre a mudança dos corpos rumo ao que naturalmente migrou para um não amor, pelo menos não o amor romântico. “Você se lembra de mim? Ou será que foi eu que me esqueci de você?”

Para esse segundo trabalho, convidei a modelo Larissa Marinho para compor o ar inocente e juvenil que naturalmente marcou o momento em que aquelas palavras foram escritas.

Para alguns pode soar piegas, mas o fato é que produzir esses vídeos me trouxeram cada vez mais conforto e fluidez para contar histórias e abrir meus sentimentos em forma de arte. Sou um artista ainda em fase de descobertas. Estou me transformando todos os dias e ainda busco no escuro, com olhos bem abertos, enxergar um caminho para me expressar.


Não sei ao certo para onde vou, mas descobri na Série Versos uma forma de expressar as narrativas românticas represadas dentro de um coração que já feriu, já amou e, acima de tudo, se decepcionou. Um misto de Jean Pierre Jeunet com Domingos de Oliveira, este último, um cineasta brasileiro, que me identifico na forma como tenta trazer amores e desilusões para as telas.

No momento, estou produzindo o terceiro vídeo da série, ainda sem título, com a participação da modelo e influencer Isabelle Moreira e que abordará o início de uma nova fase. Tudo isso me faz refletir sobre a força que as coisas ganham, quando as colocamos em prática. Era para ser apenas um vídeo, uma poesia, um pequeno conteúdo de Instagram. No entanto, o que surgiram foram lembranças, sentimentos expressados, palavras não ditas, expressão em forma de arte. Uma verdadeira válvula de escape para um artista com um coração constantemente machucado.


POR FERNANDO MARRERA