top of page

Entre o mar e a ruína: o Brasil de "A Praia do Fim do Mundo"

Estreia em 4 de setembro; drama em preto e branco transforma a erosão costeira em alegoria de um Brasil à beira do colapso


Imagens: Divulgação | Iluminura Filmes
Imagens: Divulgação | Iluminura Filmes

Ao amanhecer em Ciarema, o mar avança sobre a areia, derruba cercas e lambe os alicerces de casas que já não se sustentam. Alice observa as marcas de água na parede, cada linha um degrau a mais rumo à perda. A casa range, a mãe respira fundo, e o dia começa como um ato de resistência.


A Praia do Fim do Mundo, de Petrus Cariry, estreia em 4 de setembro e usa a erosão costeira para contar a história de uma mãe e uma filha diante da perda e do futuro incerto. Em vez de um cenário de descanso, o litoral se torna força que corrói, desalojando famílias e reduzindo a esperança a uma batalha diária. No centro está Alice (Fátima Macedo), jovem ambientalista que vê a casa e a mãe sucumbirem lentamente às ressacas e ao tempo. Ela quer partir, Helena (Marcélia Cartaxo) insiste em ficar, e esse impasse molda o drama.


Imagens: Divulgação | Iluminura Filmes
Imagens: Divulgação | Iluminura Filmes

A forma dá corpo ao sentimento. A fotografia em preto e branco ressalta o desgaste, transforma rachaduras em cicatrizes emocionais e faz do mar, quase sempre ao fundo e ameaçador, um personagem central. O formato quase quadrado da tela reforça a sensação de aprisionamento, mesmo quando a câmera encontra o horizonte aberto. O desenho de som privilegia pausas e respirações. O silêncio entre mãe e filha funciona como um terceiro personagem, denso e cheio do que não se diz.


O diretor desmonta a fantasia de litoral paradisíaco. Aqui o calor é angústia, o mar é ameaça e as ondas anunciam um fim iminente. Ainda assim, no ventre de Alice cresce uma semente, talvez de futuro, talvez apenas mais uma promessa lançada ao vento. Fotos antigas cercam Helena, lembrando que o passado pesa e pode aprisionar. A casa se deteriora, mas o afeto resiste, mesmo ferido.


Imagens: Divulgação | Iluminura Filmes
Imagens: Divulgação | Iluminura Filmes

O filme também olha para além da ficção. É um retrato do Brasil, país muitas vezes à beira do colapso, mas incapaz de abandonar o que ama. A alegoria é clara e contundente. Como Jonas, que tentou fugir do destino e foi engolido pela baleia, somos chamados a atravessar a tormenta, com a possibilidade remota de redenção.


Petrus Cariry constrói uma tensão que cresce plano a plano. O terror é a perda silenciosa do essencial, e o desfecho não oferece respostas fáceis, apenas a marca do que se viveu. É um cinema de sombras, de espera e de incerteza, conduzido com rigor formal e sensibilidade.


O filme desponta como forte candidato a representar o Brasil no Oscar 2026 como melhor Filme Internacional, reconhecimento que reforça a força de sua linguagem e de seu comentário social.


Assista agora o trailer.

 



Direção: Petrus Cariry

Elenco: Marcélia Cartaxo, Fatima Macedo, Larissa Goes e Carlos Cesar

Produção Executiva: Bárbara Cariry

Roteiro: Petrus Cariry e Firmino Holanda

Fotografia: Petrus Cariry

Direção de arte: Sergio Silveira

Figurino: Lana Patrício Benigno

Montagem: Petrus Cariry e Firmino Holanda

Som Direto: Moabe Filho

Mixagem e Edição de Som: Érico Paiva (Sapão)

Trilha Musical: João Victor Barroso

Direção de Produção: Teta Maia e Priscila Lima

Produtora: Iluminura Filmes

Duração: 88 minutos

País: Brasil

Comentários


bottom of page