ANIMAGE 2025 celebra 15 anos com recorde de inscrições e programação que cruza passado e futuro da animação
- Carlos Mossmann
- 24 de set.
- 4 min de leitura
Festival reúne 134 filmes de 51 países em Recife, de 7 a 12 de outubro, com mostras competitiva e especiais, longas premiados e produções brasileiras em diálogo com o mundo

De 7 a 12 de outubro de 2025, o Recife recebe o ANIMAGE, Festival Internacional de Animação de Pernambuco, com ingressos gratuitos e uma curadoria que conecta memórias, urgências do presente e perspectivas para o futuro do cinema de animação. Serão 134 filmes, entre curtas e longas, de 51 países, exibidos em espaços históricos da cidade: Cine São Luiz, Cinema da Fundação Derby, Cinema da UFPE e Teatro do Parque, além de sessões ao ar livre no Parque Dona Lindu e no Parque Santana.
O marco dos 15 anos chega com um feito inédito: mais de 2.300 inscrições, provenientes de 112 países, disputaram um lugar na Mostra Competitiva. Desses, 72 curtas foram selecionados e organizados em 11 programas. O júri é formado pelo realizador português Nuno Beato, pelo animador Jason Tadeu e pela jornalista pernambucana Luciana Veras, responsáveis por conceder prêmios em 11 categorias.
“Os 15 anos do ANIMAGE consolidam o festival como vitrine da animação nacional e internacional. A diversidade está no centro dessa trajetória, assim como o compromisso com a formação de novos públicos e criadores, que faz do ANIMAGE não apenas um festival de exibição, mas um espaço de troca e desenvolvimento da arte da animação”, afirma Gutie, diretor do festival.

A programação especial reforça essa vocação. A Mostra Palestina ganha um recorte exclusivo, reunindo curtas que abordam identidade, resistência e os conflitos do território. A seleção é fruto de parceria entre a curadoria do ANIMAGE, o egípcio Animatex e o projeto Para Gaza com Amor, e sublinha o papel da arte como voz em contextos de apagamento cultural. Já a tradicional Mostra Erótica retorna com foco no autoconhecimento do corpo e na saúde mental, com obras premiadas como The Eating of an Orange, dos Estados Unidos. “Predominantemente dirigidos por mulheres, os filmes oferecem um olhar sensível sobre o corpo feminino”, destaca Nara Aragão, curadora.

A Mostra Africana traz títulos inéditos e amplia o mapa da animação no continente, com a primeira inclusão de obras de Cabo Verde, Angola e Moçambique, além de Ambouba, da Tunísia, premiado em Annecy. “A pesquisa para a curadoria é uma imersão nas riquezas e nos conflitos da África e nos permite compreender melhor o mercado de animação em suas diferentes regiões”, explica Kalor, curadora. Complementam o panorama a Mostra Fabian&Fred, dedicada à produtora alemã com a presença do diretor Frédéric Schuld; a Mostra Sardinha em Lata, com participação de Nuno Beato; a Retrospectiva 15 Anos, que revisita momentos marcantes do festival com títulos como Ice Merchants e Bestia, ambos indicados ao Oscar; e a Mostra Parque, com sessões gratuitas ao ar livre.
Entre os longas-metragens, destacam-se Arco, do francês Ugo Bienvenu, premiado em Annecy e exibido em Cannes, apontado como forte candidato ao Oscar 2026; Glória e Liberdade, de Letícia Simões, que reinventa as revoltas separatistas do século XIX em um Brasil fragmentado; A Sapatona Galáctica, vencedor na Berlinale; e Olívia & as Nuvens, reconhecido em Locarno e Ottawa.









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