Dinah Feldman e as histórias que continuam depois da cena
- Carlos Mossmann
- há 1 dia
- 3 min de leitura
Em mais de duas décadas de carreira, atriz transita pelo teatro, pela narrativa oral e pela criação autoral, enquanto investiga histórias atravessadas por identidade, pertencimento e memória

Dinah Feldman passou pelo jornalismo, pelo teatro, pela narrativa oral e por relatos que chegaram até ela através da própria família. Em mais de duas décadas de carreira, esses caminhos se encontraram em trabalhos que partem da palavra, da memória e da experiência humana.
Em São Paulo, ela protagoniza Mazal Tov – Quando a Vida Sorri, adaptação teatral do livro Mazal Tov – Minha Surpreendente Amizade com uma Família de Judeus Ortodoxos, da escritora belga J. S. Margot. Dirigida por Dan Rosseto, a peça está em cartaz no Teatro Moise Safra até 30 de setembro.
Dinah interpreta Margot, uma mulher não judia que se aproxima de uma família ortodoxa e passa a revisar a própria trajetória a partir desses encontros. O que a levou ao papel foi a curiosidade da personagem, característica que reconhece em sua própria formação.
“Ela é escritora; eu me formei em jornalismo, uma profissão que também nasce da observação e da investigação”, conta.

A aproximação com a personagem passa ainda por sua origem familiar. Dinah cresceu em uma família com raízes na Rússia, na Romênia e no Egito e teve contato com teatro, poesia, música e dança ainda na escola judaica. Sua relação com o judaísmo, porém, está ligada sobretudo à experiência cultural.
“A arte sempre foi minha forma de compreender e me comunicar com o mundo”, afirma.
A narrativa oral entrou em sua trajetória pelo teatro. No início, Dinah imaginava estar apenas incorporando outra linguagem ao trabalho de atriz. Durante uma década ao lado de Fernanda Viacava, encontrou um campo de pesquisa que ganharia autonomia e a levaria a festivais na África, na Colômbia e em Israel.
Uma das apresentações aconteceu dentro de um rio, na África, diante de uma plateia que não falava português. Em Buga, na Colômbia, conheceu diferentes contextos para a narração oral, dos espaços comunitários aos grandes teatros.
Foi em uma biblioteca da periferia de São Paulo, porém, que viveu um dos encontros que mais a marcaram. Diante de jovens em processo de recuperação, percebeu a mudança gradual no ambiente. Eles chegaram desconfiados. Conforme as narrativas avançavam, a distância diminuía.
Esse trabalho com a palavra encontraria outra dimensão em O Vazio na Mala. O espetáculo nasceu do testemunho de um primo e de uma mala de guerra que pertenceu à família e hoje está preservada no Museu Judaico de São Paulo. A relação com o objeto se aprofundou quando Dinah trabalhou no museu no ano de sua inauguração e passou a conviver diariamente com a mala exposta. O contato direto com aquele vestígio familiar alterou o rumo da pesquisa.
“O projeto começou com um ‘sim’. Depois, o acaso colaborou”, lembra.




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