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Nanda Costa é cangaceira em “Maria de Maria”, faroeste brasileiro que estreia no Festival do Rio

2 de set.
3 min de leitura

Dirigido por Luiza Shelling Tubaldini, longa acompanha uma mulher que abandona o sertão depois de ter seu bando dizimado e tenta recomeçar no Centro-Oeste dos anos 1940


Nanda Costa em  “Maria de Maria” | divulgação
Nanda Costa em  “Maria de Maria” | divulgação

Uma cangaceira grávida atravessa o Brasil em fuga. O destino é o Centro-Oeste, região atravessada pela política da chamada Marcha para o Oeste durante o governo de Getúlio Vargas. É nesse território, entre a violência de um passado que insiste em acompanhá-la e uma natureza que também impõe seus próprios limites, que se passa “Maria de Maria”, novo longa dirigido por Luiza Shelling Tubaldini e protagonizado por Nanda Costa.


O filme fará sua estreia mundial na competição de longas de ficção da Première Brasil, no Festival do Rio. É a segunda vez consecutiva que Tubaldini participa da principal competição do evento. No ano passado, “Love Kills” esteve entre os selecionados e recebeu o prêmio de Melhor Som.


A história nasce de uma paixão antiga da diretora pelo western. Criada no interior, Tubaldini cresceu assistindo na televisão a filmes de John Ford, Sergio Leone, Fred Zinnemann e Sam Peckinpah. Mas havia algo naquelas produções que despertava uma curiosidade particular. E se as mulheres ocupassem o lugar dos protagonistas?


“Fazer um western no Brasil sempre foi uma vontade”, afirma a cineasta.

Em “Maria de Maria”, essa ideia encontra uma personagem que já conhece a violência antes mesmo de iniciar sua fuga. Depois da destruição de seu bando, Maria deixa para trás a vida de cangaceira e parte grávida para uma região desconhecida. O que procura é simples de dizer, mas difícil de conquistar: uma nova vida. O passado, entretanto, não desaparece com a mudança de território.


Nanda Costa em  “Maria de Maria” | divulgação
Nanda Costa em  “Maria de Maria” | divulgação

A chegada ao Centro-Oeste coloca Maria em meio a um período de expansão territorial e profundas transformações no país. É também onde a personagem precisará lidar com uma natureza indomável e com as circunstâncias de um lugar que não oferece garantias para quem chega de fora.


A protagonista tem ainda uma ligação direta com a história da própria diretora. “O Brasil é feito de Marias, de todos os lugares, de todas as origens”, diz Tubaldini. Segundo ela, a criação da personagem também passa pela memória da mãe e pelas próprias origens familiares.


O cinema de gênero acompanha a trajetória profissional da cineasta desde o início de sua carreira. Tubaldini começou como produtora em 2001 e, posteriormente, passou a trabalhar também com roteiro e direção. Nos últimos anos, voltou sua produção para gêneros como fantasia e western.


“Maria de Maria” tem roteiro de Tubaldini e Pablo Padilla, livremente inspirado em uma ideia original de Danilo Beyruth. Jacob Solitrenick assina a direção de fotografia, Claudia Andrade responde pelo desenho de produção e Gabriela Monnerat e Joanna Ribas pelo figurino. A montagem é de Danilo Lemos e Larissa Armstrong.


Além de Nanda Costa, o elenco reúne João Campos, César Ferrario, Iara Campos e Antonio Grassi. A produção é da Filmland Internacional, com apoio da Spcine e da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. A distribuição nos cinemas será da O2 Play.


A estreia no Festival do Rio coloca “Maria de Maria” diante do público pela primeira vez. O filme parte de um gênero associado a outras paisagens e o leva para um Brasil de 1940, acompanhando uma mulher que atravessa o país para escapar de uma vida que já não pode continuar.



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